O INÍCIO DO CAMINHO

imagem retirada da net
descalça parti à procura de nada
mente vazia leve e desperta
na boca um sorriso nos olhos a cor
alma a cantar caminhando sem pressa

a jornada foi longa... a noite chegou!
o abrigo sem porta a luz se acendeu
um anjo sereno vestido de azul
alimentou  o corpo, depois aqueceu

no verde da cura no leito macio
o corpo sozinho a alma partindo
à fonte se uniu fazendo-se Una
voltou de manhã brilhando e sorrindo!

MEU PRIMEIRO FILHO

Parabéns Tiago pelos teus 33 anos, pelo teu sorriso, pela tua força, pela tua simplicidade, pelo teu amor à natureza e pela tua liberdade.
Que o dia de hoje seja um dia cheio de amor, de sonhos realizados e de muitos, muitos sorrisos junto da tua princesa.
Obrigada por me teres escolhido como tua mãe.

Jardim Oriental Budha - Quinta dos Loridos - Bombarral

Passados que são 33 anos
Detenho-me por momento
Recordo a tua chegada
Passeando pelo tempo
Dá-me a mão, vem comigo...
Teus olhos azuis e brilhantes
Teu sorriso doce e inocente
Teu corpo rosado e frágil
Como fiquei tão contente
Parecias anjo do céu...
Peguei-te ao colo feliz
Apertei-te junto ao peito
Cantando canção de embalar
Senti-te menino perfeito
Eras tão lindo…
De cabelos loiros ao vento
Brincamos os dois no jardim
Perguntavas sempre: porquê?
Tua curiosidade sem fim
Então….
Dei-te livros para ler
Charlie Brown, que alegria!
Conversavas sobre tudo
No teu mundo de fantasia
Depois….
Cresceste muito depressa
Não te soube acompanhar
Sabia que andavas distante
Mas só te sabia amar
E o tempo foi passando...
Continuavas à  procura
De encontrar tua vocação
Deste voltas e mais voltas
Qual seria a solução?
E eu tão preocupada...
Olhava triste e sorria
Queria tanto ajudar
Não sabia o que fazer
Só me restava esperar
E tu cheio de sonhos…
Acreditavas sorrindo
Engenheiro te tornaste
Encontraste o caminho
Para a Usseira mudaste
Agora és homem feito…
Já perdi todos os medos
Alegra-se meu coração
Agradeço ao Universo
Ter-te dado a sua mão
Então, peço-te hoje…
Nunca percas o sorriso
Nem o brilho no olhar
Tens uma alma tão linda
Tudo podes transformar
Estás pronto….
Com tua paz e amor
O mundo poderes ajudar
Sempre estarei a teu lado
Para te proteger e amar

beijinhos da mãmã 

VIAGEM

imagem retirada da net
Viajo para além das estrelas
onde a ilusão se torna realidade.
Encontro plantadas no Universo,
flores perfumadas
que abrem com o meu sorriso.
Delicio-me com o canto de pássaros exóticos
treinados pela mão Divina.
De olhos fechados sinto o raio quente e brilhante
que o sol enviou para me abraçar.
Na noite estrelada,
brinco com crianças que são de cristal.
Adormeço serena no barco dourado
feito de seda e fio prateado.
Continuo viagem entre rios,
riachos e montanhas
com amor e esperança.
Escondida
bem dentro de mim,
encontro minha essência Divina
cheia de sabedoria.
Celebro a descoberta
com muita alegria.
Meu corpo repousa agora

tranquilo,
sentindo a Unidade.
Ouço o bater suave das asas dos anjos
que vieram para me proteger.
Regresso à Terra
cheia de Luz!
Sem mapa,
sem bagagem
sinto-me livre,
feliz!
Acabo de me encontrar,
meu caminho vou continuar.

AS MINHAS MANIAS....

A Teresa  do ematejoca azul desafiou-me a revelar cinco manias minhas e passar o desafio a cinco blogues:
Tenho sempre dificuldade em passar estes desafios, até porque sei que há pessoas que não gostam, mas aqui ficam os nomes das escolhidas, libertando-as de cumprirem o desafio se não lhes agradar.
Aproveito e mando um abraço para todas e todos que aqui vierem ler as minhas manias.

Sensações Fadaeliane

Tal Qual Sou

Retiro do Éden

A Casa da Mariquinhas

Alegriadeviver

As manias da.....



1 — Desde criança, que faço sempre tudo muito rápido.
Resultado: despacho-me sempre cedo dos meus trabalhos (quer profissionais, quer domésticos) mas quando se trata de arrumar louça faço quase sempre cacos;

2 — Não consigo sentar-me no sofá para descansar se não tiver tudo bem arrumado;

3 — Não saio de casa sem colocar uma leve pintura no rosto;


4 — Falo muitas vezes em voz alta quando estou a trabalhar ou a escrever...o que às vezes espanta quem me ouve;

5 — Faço sempre as minhas orações, agradecimentos e pedidos ao Universo logo pela manhã, mal entro no carro,  enquanto me dirigo para o emprego.

LIBERTAÇÃO


imagem retirada da net

Muito a custo tentei alcançar a pedra oval e irregular que, coberta de musgo, dava acesso a uma pequena casa de pedra coberta de heras.
Não sabia que casa era aquela nem o que ali iria encontrar, mas a minha intuição levava-me a seguir o som da melodia suave que se fazia ouvir, bem como o perfume de rosas tão intenso que me inebriava o corpo.
O dia acabara de nascer e o sol ainda espreguiçava suavemente seus braços dourados. Uma aragem fresca fez estremecer o meu corpo frágil e aconcheguei-o com o xaile de lã azul que tinha recebido de presente no último Natal. Olhei à minha volta e o silêncio fez-me sentir o bater apressado do coração. Soube naquele momento que nada me faria desistir de descobrir que mistério escondia aquela casa tão pequena e misteriosa.
Aproximei-me silenciosa e consegui alcançar, em bicos de pés, a única abertura que a casa mostrava. Era enfeitada de heras e miosótis, que quase tocavam o telhado reluzente feito de ardósia negra. O primeiro raio de sol iluminou, por segundos, um pedaço de pedra branca polida onde se encontrava uma mulher ainda adormecida.
Não consegui aguentar por mais tempo aquela posição e de um salto alcancei a relva verde e humedecida que se encontrava mesmo por debaixo da janela.
Rapidamente encontrei forma de voltar a subir. Mesmo em frente à casa havia uma enorme figueira. Descalcei os sapatos, pousei o xaile na rocha e atrevi-me a desafiar aquela árvore enorme e cheia de frutos ainda verdes, que espantada olhava para mim.
Admirei-me com a agilidade e força que ainda possuía, conseguindo em segundos alcançar o cimo da árvore. Agarrada a um forte ramo, consegui finalmente alcançar a pequena abertura e espreitar de novo.
Não tinha sido imaginação minha. Deitada na pedra de mármore branca lá estava aquela mulher na mesma posição e por mais que quisesse não conseguia ver-lhe o rosto que quase adivinhava cansado e triste.
O primeiro raio de sol entrou naquela casa fria e despida e um ténue movimento de cabeça deixou-me ver-lhe o seu rosto. Era tão belo!
Que estranho, pensei!
Que faria ali aquela mulher bela, sozinha e com ar de tanto sofrimento?
De vez em quando conseguia ver o movimento dos seus braços, para a frente e para trás, sentindo que pedia ajuda.
Do local onde estava não me fazia ouvir, apesar dos sons que emitia com toda a força da minha alma.
Por favor, estou aqui em cima, posso ajudar?
Olhe, está aqui uma pequena abertura por onde poderá  sair. Não quer tentar subir?
Pensei que seria impossível sair fosse quem fosse por aquela abertura, mas o meu desejo de salvar a mulher não me fazia pensar em pormenores.
A minha missão era salvar aquele ser em sofrimento.
A posição daquela mulher era incómoda, estando certamente a causar-lhe alguma dor e sofrimento, mas senti que procurava ajuda para poder caminhar à procura de algo que a faria feliz.
Nenhum sacrifício seria de mais para o conseguir, pensei.
Sem ter conseguido ser ouvida ou sequer obtido um leve movimento de olhos na minha direcção resolvi descer para pedir ajuda.
Sentei-me na  pedra oval e polida e admirei toda a beleza que me envolvia.
O sol estava quente e as últimas andorinhas ainda esvoaçavam no ar numa dança maravilhosa.
Recordei os dias de Primavera passados na aldeia!
O cheiro das primeiras flores a desabrochar e os ninhos que nos beirais das casas de madeira faziam todos os anos!Que delícia era observar, de novo, as andorinhas num vai e vem constante para alimentar seus filhotes que abriam o bico e piavam sem cessar.
Deixei-me embalar por esta visão maravilhosa e adormeci, sentindo a magia daquele dia morno e perfumado.
Em segundos, iniciei  uma longa viagem pelo Universo e descobri que existiam dois mundos onde vivia: um exterior e um interior.
No mundo exterior quase todos os seres humanos lutavam por conseguir uma vida melhor: havia guerras, pessoas em sofrimento e com olhos cheio de lágrimas, crianças tristes e desnutridas, amparadas pelas mãos frágeis das mães que levavam ao colo  crianças mais pequenas.A água e os alimentos eram escassos e as doenças propagavam-se rapidamente.
Havia homens poderosos que alimentavam essas guerras a troco de grandeza e riqueza, fechando os olhos a tanta injustiça, dor e destruição.
Nesse mundo todos viviam em sobressalto procurando conseguir o mais possível para terem um futuro melhor.
Tinha a certeza que muitas daquelas pessoas não teriam futuro, não estavam sequer a conseguir viver o presente de uma forma digna e feliz.
O que poderia significar o futuro para essas pessoas?
Estranhava que ninguém parasse para pensar o que se estava a passar ou o que significavam as palavras AMOR, PERDÃO, COMPAIXÃO, ALEGRIA e FELICIDADE.
No entanto, consegui ver que existiam algumas pessoas tranquilas, felizes e que sabiam amar.
Que pessoas eram essas?
Que magia havia nas suas vidas que conseguiam distanciar-se de tanta revolta, de tanta luta pelo poder, de tanto ódio estampado em tantos rostos, incapazes de entenderem o verdadeiro significado do perdão?
Que pessoas eram essas que sabiam proteger a natureza, que ajudavam os mais desfavorecidos, que sentiam compaixão e  lutavam por um Mundo melhor?
Estaria a sonhar ou estaria já a ver o início de um Mundo novo, de um Mundo mais justo? 
Um raio de sol brincou com o meu cabelo e o vento suave levou-me a ver o Mundo interior.
Esse mundo era cheio de luz, de paz e de amor.
As pessoas amavam-se e eram felizes!
Viviam como borboletas e pássaros num jardim, cheio de belas e exóticas flores, completamente livres e sorridentes. Amavam todos os seres que encontravam, fossem eles plantas, animais ou humanos. Não havia guerras, pois a abundância existente no Universo era de todos e para todos.
Não havia ódio, raiva, ciúme ou inveja em nenhum olhar, em nenhum gesto.
Todos eram iguais e tinham oportunidades iguais.
Ao som de harpas adormeciam todas as crianças e passeavam todos os velhinhos com doces sorrisos estampados no rosto.
Deixei-me envolver naquele mundo em perfeita harmonia e voei sem asas, sentindo que aquele era o meu verdadeiro Mundo.
Um sentimento de paz envolveu-me e um sorriso desenhou-se no meu rosto coberto de luz.
Que sentimento era aquele que me fez sentir tão feliz?
Seria Amor Incondicional?
Naquele voo mágico pelo céu, ainda sem estrelas, não tinha vontade de regressar ao mundo exterior.
Tinha descoberto a magia da vida, o amor incondicional e a luz.
O vento soprou forte e um arrepio sacudiu-me o corpo.
Abri os olhos e olhei o céu.
O sol escondia-se atrás da montanha e a lua mostrava o seu rosto ainda adormecido.
Apressadamente embrulhei-me no xaile de lã e sorri ao pensar que tinha libertado aquela mulher do sofrimento em que se encontrava. 
Acabara de descobrir o seu Mundo interior, o seu poder e a sua força para continuar a viver.

MAR


Madeira - Dezembro 2009

Oh mar azul,
vermelho,
sofrido,
antigo!
Mar onde navego
em sonhos profundos.
Confusos!
Mar revolto
cheio de espuma.
Ternura!
Mar de tantas vidas,
que abraço sorrindo...
pedindo!
Mar de gente
que esconde segredos.
Enredos!
Mar que dá pão,
divina natureza.
Certeza!
Mar tranquilo,
com sol brilhando
adormecendo!
Mar que chora ...
saudoso,
dorido,
amoroso!
Oh mar onde navego,
todos os dias!

AS MINHAS MÃOS

as minhas mãos

Volto a ser criança.
Minha mente está vazia,
ouço a voz do meu coração
chamando por mim.
A sabedoria vem chegando,
o espírito despertando.
Estou feliz!
As memórias vêm.
Olho as minhas mãos!
São de criança,
mexem na terra.
São mãos de jovem,
acariciam a minha mãe,
abraçam o Mundo,
aprendem a amar.
São mãos de mãe,
abraçam meus filhos,
embalam,
dão as mãos
em campos de girassóis.
Volto num instante.
Estou no presente…
Olho as minhas mãos.
Estão a envelhecer
mas são tão lindas!
Adoro vê-las abraçar,
plantar flores,
acariciar crianças,
escrever palavras
em forma de poesia.
São mãos que não param,
porque estão vivas,
aqui e agora!

MEMÓRIAS DE NATAL ....PORQUÊ NESTE NATAL?



Já vou mãezinha, estou só acabar a camisolinha do menino.
Está bem, não te demores que precisamos de fazer a lista das compras, respondeu com ar sorridente.
Aproveitava todos os momentos para acabar os inúmeros presentes que ainda tinha para este Natal.
Dei por mim a pensar que já nem estava tão preguiçosa para fazer aqueles trabalhos de lã, que a minha mãe me ensinara a fazer, e que por vezes me aborreciam tanto.
Estava demasiado feliz!
Ao fim de 4 longos anos, íamos estar de novo todos juntos no Natal.
Era a mais nova de 5 irmãos e a guerra do ultramar há já algum tempo que não permitia a alegria de passarmos um Natal todos juntos.
Apesar de já ter 21 anos parecia uma autêntica criança.
A sorrir, pensava que os meus sobrinhos mais pequeninos ainda acreditavam no Pai Natal e imaginava quem seria o escolhido para se fazer passar por ele.
O céu parecia ter mais estrelas quando, naqueles dias frios de Dezembro, abria a janela do quarto e olhava para o infinito.
Será que vai nevar?
Seria ouro sobre azul!
Os manos tinham saudades da neve e os meninos ainda não a conheciam.
As árvores ficariam lindas e o jardim, que se podia ver da janela da minha casa, cobria-se com um manto branco que ninguém ousava pisar. 
Ah... e que lindas aquelas flores que deixavam à mostra um pouco da sua cor!
Fechava os olhos e imaginava os pezinhos pequeninos dos mais novos enterrados na neve e a voz da minha a mãe a chamar por mim:
Vê se tens juízo, olha que os meninos podem-se constipar.
Ah, a minha cabeça não parava de sonhar, tudo me parecia tão real!
Os preparativos começaram logo no início de Dezembro e nada podia falhar, ouvia o meu pai dizer ao jantar.
Uma noite foi destinada para ele partir o bacalhau às postas. Não dava para acreditar a perfeição com que fazia tal trabalho...pareciam cortadas à régua de tão simétricas que ficavam.
Nunca consegui cortar um bacalhau assim!
Na Serra das Meadas, apanhei musgo verdinho salpicado de bolinhas de azevinho para o presépio.
Essa tarefa coube-me a mim e foi mais uma noite a desembrulhar aquelas adoráveis figurinhas de barro, pintadas à mão, que com carinho lá ia colocando em cima do musgo que cheirava a eucaliptos e pinheiros. Até consegui fazer a simulação de um rio e colocar os carneirinhos a beber água....lembro-me de ficar ali a usufruir daquela pequena maravilha...tudo tão simples e tão mágico!
O menino Jesus era único! Não só por ser de marfim, mas também pelo seu tamanho. Pequenino de tal maneira, que mais parecia uma estrelinha a brilhar em noite sem lua.
Pensava sempre nessa altura quem teria sido o autor de tal obra. Nunca vim a saber!
Montei também a árvore, a um canto do presépio, e enfeitei-a com figurinhas de chocolate em formato de pinhas, sininhos, pais natais e bolinhas.
As fitas coloridas e brilhantes, anjinhos de cartão, pintadinhos às cores, e alguns embrulhinhos que faziam lembrar prendinhas, tornavam a árvore mágica... e eu sorria feliz a olhar mais uma tarefa concluída.

Uma noite o meu pai trouxe confeitos às cores, que foram distribuídos por saquinhos de pano todas iguais. Na noite de Natal era costume cada um ter o seu saquinho para poder jogar o jogo do rapa....tira, põe e deixa. Este jogo era uma tradição antiga, que quando éramos mais pequenos, nunca faltava nos nossos Natais.
Este ano vão ser  para os mais pequenos, dizia o meu pai com os olhos a brilhar.
À medida que os dias passavam mais a saudade apertava e não via o dia 24 chegar.
A minha mãe comprou presentes para os netinhos e só faltava mesmo comprar os alimentos mais frescos para confeccionar os doces tradicionais.
Estava muito frio naquele dia 21 de Dezembro de 1972, em Lamego.
Combinei com a minha mãe que depois do jantar iríamos preparar a abóbora menina, que depois de cozida tinha que escorrer num saco de pano toda a noite ao relento, para no dia seguinte fazer os deliciosos bolinhos de gerimu e também a chila, não menos trabalhosa, que  tinha de ser preparada com todo o cuidado.
Depois do almoço a minha mãe preparou-se para ir ao cabeleireiro e fazer uma visita de Natal a uma prima mais velha, a quem gostava sempre de levar uns deliciosos biscoitos de azeite, feitos por ela.
Fiquei em casa a terminar os últimos presentes e a ajudar a empregada nas últimas limpezas da casa.
As horas foram passando e de vez enquanto olhava o relógio sem saber o porquê da tanta demora da minha mãe.
Lembrei-me que era  possível ter ido  à missa das 6h e sorri ao pensar que ela adorava ir assistir, sempre que podia, a uma missinha....foi mesmo o que aconteceu!                        
O frio apertava!
A noite caiu trazendo consigo um frio gélido que se estendia por aquela cidade tão pequenina, mas tão acolhedora.
Espreitei pela janela e vi que o céu estava branco e quase que podia sentir o cheiro da neve.
Estava tudo a tomar o rumo certo. Até neve iríamos ter!
Comecei a preparar o jantar para que não houvesse atrasos nas tarefas combinadas e perto das 7h senti a porta da rua a abrir.
Do cimo das escadas perguntei:
Mãezinha, está bem?
Estou na cozinha a adiantar o jantar, acrescentei.
A resposta não chegou e esperei um pouco mais.
Fez-se um enorme silêncio e o meu coração bateu devagarinho. Deve estar a olhar a mala que o mano deixou pousada no meio do quarto, pensei.
Não fiquei muito convencida com aquele pensamento e desci rapidamente as escadas duas a duas, como sempre costumava fazer.
Entro no quarto e deparo com a minha mãe estática, olhando fixamente a mala.
Ainda da porta perguntei:
Sabe quem chegou?
O teu irmão, respondeu num tom baixo e sem se mexer.
Nesse preciso momento cheguei perto dela e só tive tempo de a segurar com os meus braços. Puxei-a para a cama e não sabia o que fazer. Deixou de me falar, não respondia, momentos de aflição e eu ali sozinha.... e agora?
Puxei-a com força para cima da cama e corri a chamar ajuda. Veio a vizinha e rapidamente galguei as escadas correndo 100 metros para alcançar a casa do médico.
Felizmente que ele morava perto.
Tudo se passou em 15m e já nada havia a fazer.
Fiz tudo que era possível fazer naquele curto espaço de tempo e no cimo das escadas, com a cabeça entre as mãos, saíram os primeiros soluços.
Será que alguém avisou o meu pai e os meus irmãos do que acabara de acontecer?
Não consegui levantar-me dali e não queria pensar em nada. O meu corpo e a minha alma recusavam-se a aceitar tudo o que tinha acontecido tão de repente.
Finalmente chegou o meu pai e irmão e alguém avisou os outros, que rapidamente vieram do Porto.
Nessa noite, destinada a fazer tantas coisas deliciosas, estávamos ali inconsoláveis, olhando uns para os outros e com os olhos banhados de lágrimas.
Na minha cabeça martelava a frase: Porquê neste Natal? 
Só mais tarde e ao longo dos anos consegui obter uma resposta para tudo que acontecera.
Foram dois dias longos, onde não conseguia muito bem distinguir o que era ou não real.
Lembro-me que ali, perante o corpo sem vida da minha mãe, prometemos mantermo-nos unidos e amigos para sempre.
Era o grande sonho da minha mãe… a UNIÃO da sua família.
Passamos o Natal no Porto e juntamente com o meu pai fomos aceitando a sua partida.

O seu espírito, a sua memória, a sua presença e o seu sorriso ficaram connosco para sempre e todos os seus ensinamentos ganharam uma nova dimensão na vida de cada um de nós.
Ela foi sem dúvida o nosso melhor exemplo!
A partir desta data, começamos a celebrar o Natal sempre juntos e esta mulher maravilhosa é sempre recordada como a mãe mais linda, bondosa, doce e sábia que soube educar os filhos com muito amor e grande espírito de união.
Toda a sua vida e a sua partida, neste Natal, fizeram de nós a família que hoje somos.
Uma família muito especial.... que ama, perdoa, é solidária e acima de tudo mantêm-se unida nos bons e nos maus momentos.
 
Acredito que nada na nossa vida acontece por acaso!



Obrigado Quica por nos teres desafiado a escrever as nossas Memórias de Natal.

Feliz Natal!

DESAFIO DA LICAS



A minha amiga Licas (http://licas-ontemehoje.blogspot.com/) lançou-me o desafio de completar 5 frases. Não costumo aderir muito a estas coisas, por falta de tempo, mas como estamos no Natal aqui estou a responder para me dar a conhecer um pouco mais.

Estas são as respostas:

Eu já tive uns pais maravilhosos que me abraçavam em todos os Natais.
Agora tenho uma família, muito unida, que amo muito.



Eu nunca digo que não sei ou não posso fazer aquilo que me pedem. Para mim não há impossíveis. Quando acontece não conseguir atingir o objectivo proposto, não esmoreço perante os obstáculos que encontro no caminho. A consciência que tenho do meu poder e da minha força ajudam-me a sorrir e a recomeçar.


Eu sei que sozinha não tenho poder para ajudar todos aqueles que necessitam, mas no meu caminho têm aparecido pessoas maravilhosas que me vão ajudando e me dão força para nunca desistir. Em todos os dias da minha vida e em todos os Natais, agradeço a minha existência e a deles também.




Eu quero, quando partir, deixar uma boa e linda recordação da minha passagem pela Terra. Quero que se lembrem sempre do meu sorriso, amor incondicional, disponibilidade, solidariedade  e acima de tudo que nunca desistam de lutar por um Mundo melhor e mais justo.


Eu sonho ter na minha vida e em todos os Natais, abundância para ajudar os meus filhos e os mais desfavorecidos. Sonho ter sempre a minha família junta no Natal e adoro os nossos serões com música e histórias improvisadas.


Agora passo este desafio a todos os  amigos que me visitam e me incentivam a continuar a caminhar.
Quem desejar pode deixar as respostas nos comentários ou levar o desafio para o seu blogue

Obrigado à Licas e a todos que tiveram  paciência de me ler.

Beijinhos coloridos

Canduxa

MINHA FILHA DE CORPO E ALMA

Faz hoje 30 anos que uma estrelinha desceu do céu e pousou no meu regaço.
Para ela a minha homenagem e o meu grande abraço de amor eterno.



Passei tão depressa pelo tempo,
detive-me tão pouco com lembranças
esperando que tudo permanecesse
e fosses sempre uma criança.
Mas passamos as duas pelo tempo
e hoje regresso ao meu passado
levando-te comigo em pensamento...

E foi assim que tudo começou.

Eras uma linda e pequena estrelinha
que brilhava lá no céu, bem junto à lua.
Querias vir cumprir tua missão,
precisavas de alguém que te cuidasse.
De repente, lá me viste no jardim
cheia de tantos e bonitos girassóis,
cabelos ao vento, menino pela mão...
aquela foi a mãe que escolheste!
Chegaste num dia frio de sol,
apaixonei-me logo que te vi.
Teu sorriso lindo, inocente
iluminou para sempre a minha vida.
Embalei-te muitos dias, muitas noites.
Cuidei de ti com todo o meu amor,
levei-te à escola e ao jardim...
Eras feliz e linda como uma flor!
Respondi às perguntas que fazias,
abracei-te e amei-te sem saber
quem eras!
Tinha ainda que aprender....
Foste crescendo sempre cheia de amor,
aquele amor que sempre tive por ti.
Quando dei conta... o tempo tinha passado!
Corri para ti, quase não te senti.
Desejei então ser teu barco, teu dono
teu palácio e povoar todos os teus sonhos.
Inquieta, muitas vezes me fugias...
Oh, como tão pouco ainda eu sabia!
Chegou depois, a altura das viagens...
Vi-te partir cheia de sonhos, fantasias
brilhozinho nos olhos e de mochila às costas.
Desejava a tua volta todos os dias!
Admirava tua força, tua coragem...
Sempre cumprias tudo o que dizias,
e sorria para ti e para mim.
Eras tão feliz e eu, feliz por ti.
Soube nessa altura quem tu eras,
minha filha e também uma estrelinha!
Ajudaste-me a encontrar novo caminho,
aquele que já tinhas percorrido!
Olhei-te bem nos olhos, feito rio
e abraçamo-nos com ternura
descobrindo
que tínhamos combinado
há muito o nosso encontro.

Obrigado pela filha, pelo que tu és.
Pelo lindo ser de luz que vejo em ti.
Pelo teu grande e lindo coração.
Pela paz que me dás quando me beijas.
Pelo sorriso que Deus colocou em ti.
Pelo amor que sei que tens por mim!
Serei sempre a estrela que te guia
No caminho que escolhes...
e percorres dia a dia.
Hoje só te digo minha filha,
Faz o favor de ser feliz...
O resto não importa!