O MEU CAMINHO A SANTIAGO (continuação)



Ponte de Lima/ Valença
Abril de 2008

Eram 9 Horas do dia 26 de Abril e o grupo de peregrino atravessava a monumental ponte romano/gótica, de 22 arcos, sobre o rio Lima.

Sabíamos que este percurso seria um dos mais bonitos e também um dos mais difíceis, contudo estavamos preparados para ultrapassar qualquer dificuldade, apesar do calor que já se fazia sentir.

Passámos junto à Igreja de Santo António da Torre Velha, viramos à direita e passamos junto da Capela do Anjo da Guarda, que ao longo dos séculos tem testemunhado a passagem de milhares de peregrinos. Fizemos o percurso até Arcozelo, por entre quintas e caminhos de terra e pedra, cheios de vegetação e poças de água.
À minha frente seguia um grupo que ora escorregava aqui, ora escorregava ali, nas pedras húmidas e enlameadas pela últimas chuvas e na preocupação de não escorregar também agarrei-me a um ramo de silvas que, sem qualquer compaixão, me picaram até doer. Ao largá-las não consegui o equilíbrio necessário e antes mesmo de me aperceber já estava com os pés enterrados numa poça enlameada e funda.
Oh meu Deus!
Olhei para trás, com olhos de suplica, e socorreu-me prontamente uma peregrina que não parava de rir. Não tive outro remédio senão percorrer, neste “estado lamentável”, alguns km até encontrar um riacho de água límpida, para me lavar. Mas, como acredito que nada acontece por acaso o longo caminho que tive de fazer, sob um sol intenso e um calor abrasador, tornou-se mais fácil, com os pés e sapatilhas sempre bem fresquinhos

Durante este percurso fomos admirando as cores com que eram enfeitados os caminhos: o amarelo das giestas e dos tojos e o lilás das urzes que estavam nesta altura completamente desabrochadas.

A paisagem era linda... e o cheiro característico dos eucaliptos ajudava-nos a respirar aquele ar puro que a natureza, com amor, nos oferecia a troco de nada.
Com ajuda do cajado fomos subindo devagar, sentindo o coração da serra da Labruja bater em uníssono com o nosso.


Mais 1Km e começámos a descer por entre olivais e dirigimo-nos para a Ponte da Geira sobre o rio Labruja.
O som do rio a correr por entre a vegetação parecia uma melodia preparada para ajudar os peregrinos a subir a encosta que mais acima esperava por nós.

Continuámos caminho pelo monte, em direcção ao Salgueiro, e cruzamos novamente o rio Labruja, agora na Ponte do Arco. Uns metros mais à frente fizemos a nossa grande paragem para nos refrescarmos. Mesmo ao lado, lá estava a belíssima Capela da Senhora das Neves e no adro um lindo cruzeiro. Entramos para fazer a nossa oração e de forças retemperadas e cheios de fé, continuámos encosta acima, por entre videiras, carvalhos, pinheiros e oliveiras em direcção à Portela Grande da Labruja.
E foi aqui perto, mergulhado num mar de pinheiros, que avistamos a Cruz dos Franceses, assinalando o local onde a população da Labruja emboscou os soldados do exército de Napoleão, na invasão de 1809. Fizemos uma breve paragem para sentir a energia deste local, tirar umas fotos e recuperar o fôlego.Tínhamos já 12km percorridos e, sem olhar para trás, subimos na vertical até ao cimo da serra.
Em cada passo dado sentíamos o nosso coração bater apressadamente em todos os pontos do nosso corpo e apesar de parecer estranho ao mesmo tempo fazia-nos sentir algo de maravilhoso....
Uma sensação de plenitude, de liberdade e de união entre o corpo e a alma foi o que senti neste subida.
O silêncio que se fazia sentir era quebrado pelo som da água correndo pela montanha e pelo respirar mais ofegante de alguns dos peregrinos.
Sentíamo-nos cansados e felizes!
Ao chegar ao cimo da serra ficamos maravilhadas com o lindo arranjo de malqueres amarelos, que parecia ali colocado por alguma mão Divina para nos receber e recompensar pela nossa coragem.
Que pena não ter ali a máquina para registar tal beleza!
Sorrindo, agradecemos ao Universo tal espectáculo e sentimo-nos abraçadas pela serra que acabávamos de subir.
Um grupo que caminhava à nossa frente já estava a instalar-se perto da casa da Guarda-florestal onde, uma bica de água fresquíssima esperava por nós.
Tínhamos combinado saborear neste local a merenda que trouxemos de casa e que carregámos nas nossas mochilas ao longo de toda a subida.
Esperámos mais uns minutos pelo resto dos peregrinos e um após outro lá foram chegando.
Por último apareceu o nosso companheiro mais idoso e também principiante, que não esmoreceu à dura subida e ao calor intenso que se fez sentir durante todo o percurso.
Foi uma lição de fé, de auto-confiança e de amizade, já que alguns peregrinos o ajudaram e acredito que também algum Anjo o ajudou, não fosse o cansaço empurrá-lo para trás.
É nestes momentos que esquecemos o que temos e mostramos o nosso valor pelo que somos! Permanecemos por 2 horas neste local aprazível, saboreando o farnel e descansando à sombra dos pinheiros.
Que delícia!


Completamente recuperados, do grande esforço feito na subida,  voltamos ao caminho descendo até Cabanas.
Já em Paredes do Coura ficámos maravilhados com as imensas quedas de água que cantavam à nossa passagem e também com moinhos bem conservados.

Seguimos depois até Agualonga, atravessámos uma velha ponte para chegarmos à Capela de S. Roque e percorrendo um espesso bosque chegamos finalmente à Igreja Românica de Rubiães.
Dirigimos-nos para o Albergue de peregrinos de S. Pedro de Rubiães, onde tomámos um agradável banho, descansámos e pernoitámos.
A noite estava tranquila e depois de um simples jantar adormecemos como anjos.
Um novo dia começava e bem dispostos começámos a percorrer os poucos metros da Estrada Nacional que nos levou à ponte românica de Rubiães.
Atravessámos a ponte, percorrendo o chamado Couto das Cabras, parámos para o pequeno-almoço e continuamos a caminhar na direcção a S. Bento da Porta Aberta.




Neste pequeno percurso, eu e outra peregrina, assistimos a algo de maravilhoso que não posso deixar de aqui descrever.
Talvez seja impossível mesmo descrever na sua totalidade tal acontecimento pois, além de não ser esperado, nunca tinha visto nada assim com tal intensidade.
À nossa frente, naquele imenso céu azul, ondas de energia oscilavam e brilhavam.
Sentíamos essa energia chegar até nós e espalhar-se sobre aquele local que parecia celebrar tal espectáculo.
Era tudo verde, brilhante e mágico!
Olhámos os pinheiros, que se erguiam majestosos e verdejantes, e lá estava a sua aura transparente e luminosa que conseguíamos ver sem qualquer esforço.
Esta sensação de leveza, de beleza, de luz, de energia interior e exterior acompanhou-nos no resto da nossa caminhada e foi partilhada, por nós, com alguns dos peregrinos que caminhavam mais à frente sem nada terem notado.
Aprendemos que estar atentos pode levar-nos a ter experiências maravilhosas e acreditar que o mundo onde vivemos é realmente mágico! Rapidamente chegámos a S. Bento da Porta Aberta.
Procurámos a Capela para fazermos a nossa oração e continuamos caminho ao som do sino da capela que parecia despedir-se de nós.
Percorremos a grande descida para Fontoura, encontrámos uma humilde representação de N. Sr. dos Caminhos, um verdadeiro símbolo do Caminho em Portugal, e na passagem por Cerdal já o cansaço era muito.
Decidimos fazer uma última paragem para retemperar forças e percorrer os 3km que faltavam até Valença, onde chegámos perto da hora do almoço.
Dirigimo-nos ao Albergue de Peregrinos onde a relva verdinha e fresca nos convidou a repousar e a uns exercícios de relaxamento. 
(Continua...)

ÍRIS....o seu primeiro poema

Íris poderia ser uma flor
com cheiro suave
cor de menina
sorriso inocente.
Íris poderia ser uma estrela
de brilho constante
com olhar sereno
eterna viajante.
Íris poderia ser um anjo
com asas de vento
 corpo de luz
envolto em ternura.
Íris poderia ser um cristal
cheio de sonhos
de braços abertos
promessas constantes.
Íris....
 é  menina arco-íris
com olhos de luz
que um dia escolheu
ser minha neta.
Íris...
é a menina dos meus olhos!

O MEU CAMINHO A SANTIAGO (continuação)

Barcelos - Ponte de Lima
Março de 2008
Para alegria de todos chegámos a Barcelos sem chuva, à hora combinada e com um sorriso lindo e transparente a iluminar-nos o rosto. 
A surpresa foi grande quando vimos a nossa roda de peregrinos tornar-se numa roda “gigante”.
As caras novas eram muitas e depois do guia proferir algumas palavras de boas vindas, seguiu-se a tradicional oração e o grito ULTREYA e SUSEIA.
Iniciamos o caminho em direcção ao posto do Turismo e já o sol brilhava quando atravessamos a linda cidade. Senti naquele momento que ele nos iria acompanhar ao longo dos 33 km que teríamos de percorrer. 
Embrenhamo-nos pelo interior do vale do Neiva, enfeitado com campos verdes e amarelos e  salpicado com lindos limoeiros cobertos de frutos maduros.
A natureza brindou-nos ao longo deste percurso  com lindas paisagens coloridas e fez-me lembrar  lindas aguarelas pintadas por artistas mágicos e célebres. 
As  flores sorriam para nos saudar e uma peregrina não resistiu a colher duas, de cores fuschia e amarela, transformando-as em dois lindos e graciosos brincos que me colocou com um gesto carinhoso.
Fiquei tão feliz que, por momentos, deixei que a minha criança interior se manifestasse e não resisti ao chamamento da máquina fotográfica que num instante registou tão carinhoso acontecimento para mais tarde recordar.

Entrámos em Lijó pela ponte sobre o ribeiro de Pedrinho e depois das Capelas de S. Sebastião e da Santa Cruz, descansámos um pouco, refrescámo-nos, saboreámos as frutas que trazíamos nas mochilas e voltamos ao caminho pois, esse era longo e as paragens teriam de ser breves nesta etapa.
Andamos mais uns km, acabámos sempre por perder a noção do tempo e do espaço percorrido, bebemos água fresquinha na fonte da Ferreirinha e mais à frente esperava-nos a Capela da Senhora da Portela, construída no séc.XVII.
Estava nesta altura o grupo dividido; os mais afoitos iam já com algum avanço e nós um pouco mais atrás desejávamos por mais uma paragem.
Sem desistir andamos mais uns metros e não tardou o encontro com o nosso guia, junto da Igreja de Aborim, que nos esperava com um largo sorriso.
Uma rápida refeição e o merecido descanso.
Esticados ao comprido já estavam alguns peregrinos, deixando que os raios de sol brincassem com os seus cabelos.
Ninguém sentia a dureza das pedras, nem o sol quente do inicio da tarde.


O descanso foi pequeno!
Apressadamente arrumamos as sobras da merenda e de energia renovada atravessamos o Rio Neiva pela Ponte das Tábuas, formada por grandes lajes de granito que substituiu uma outra de tábuas do século XII.

Como o grupo era grande, as conversas foram-se desenrolando ora com este, ora com aquele, sentido que de etapa para etapa o grupo se ia tornando mais coeso, forte e alegre, tornando assim este caminho numa aprendizagem constante.
O silêncio também nos faz companhia e é nele que muitas vezes nos encontramos verdadeiramente.


Enquanto borboletas faziam a sua mágica aparição, num vai e vem constante, deliciando-me com as suas coreografias e cores multicolores, não pude deixar de observar as lindas flores silvestres que enfeitavam e enchiam de cor o caminho.
Como eram lindas!
Simples!
Singelas e coloridas!
Os meus olhos sorriam enquanto elas se abriam num lindo gesto de amor.
E como era bonita aquela solitária toranjeira, que com seus frutos gigantes e amarelos nos fez parar para melhor percebermos se eram toranjas ou outra coisa qualquer…  entre limoeiros e cameleiras pensei que era digna de ir para o Guiness.

Em Reborido, freguesia de Santo André do Vitorino de Piães, faltavam ainda 12 km para Ponte de Lima, conhecemos a D. Júlia da Silva Correia, como fez questão de nos dizer, que nos convidou a entrar no portão do seu modesto quintal e nos ofereceu todas as laranjas que as nossas mãos conseguiram colher e transportar.

Os frutos pequenos, mas tão sumarentos e saborosos, mataram, ali mesmo, a nossa sede e com sorrisos e palavras doces agradecemos tanta generosidade.
O rosto cansado e magro da D. Júlia iluminou-se com tantos agradecimentos e com o registo fotográfico do momento. Mesmo ali, prometemos-lhe um novo encontro, quem sabe na altura das festas do Santo Padroeiro.
No decorrer deste breve acontecimento meu coração sentiu por instantes o significado da solidão e como, com tão pouco, podemos assistir a uma verdadeira transformação de alguém que se sente feliz partilhando o pouco que  possui.
Foram momentos únicos os que ali vivi e quem sabe se D. Júlia não pensou ter vivido um pequenino milagre... mas, como diz Richard Bach no seu livro “ O Livro de Messias”
“… uma coisa boa nunca é um milagre, uma coisa maravilhosa nunca é um sonho”.
Caía o fim da tarde e faltavam ainda 3km para chegarmos ao nosso destino.
O corpo dava sinais de grande cansaço e olhando o rosto dos outros peregrinos senti que estávamos todos a passar pelo mesmo. Porém, a nossa fé foi aumentando em cada passo dado e, sem vacilar, continuamos a caminhar. O suave perfume da flor de madressilva, misturado com o canto dos pássaros que voavam à nossa volta ajudou-nos neste final de percurso e fez-nos esquecer tanto cansaço e dor nos pés.

Anoitecia quando entramos em Ponte de Lima pela Avenida dos Plátanos, junto ao rio.
As primeiras luzes ascendiam-se e ao fundo lá estava a Ponte, medieval e romana, sobre o rio Lima.


(Continua....)

O MEU CAMINHO A SANTIAGO


INTRODUÇÃO

A busca e a procura da minha verdadeira identidade, levou-me a desejar fazer uma peregrinação, a pé, a Santiago de Compostela.
Este desejo intenso começou a fazer parte dos meus sonhos e como acredito que os sonhos são possíveis de realizar surgiu, quando menos esperava, um convite para fazer essa peregrinação.
Partilho agora esse caminho, feito por etapas ao longo de alguns meses de 2008, e posso garantir-vos que foi  um momento único na minha vida como ser humano.

Porto - Vilarinho
Fevereiro de 2008

Admirava  a beleza do interior da estação de S.Bento de uma forma tranquila. Era cedo e de mochila às costas, bem agasalhada, pensava que nunca tinha tido tempo para conhecer por dentro aquela estação. Passava ali poucas vezes e sempre a correr.  
O comboio que vinha de Braga ainda não tinha chegado e já o meu coração  batia apressadamente. O encontro com os outros peregrinos estava para breve e olhava ansiosa a porta da gare. Ainda não estava convencida que tinha decidido fazer tão longo caminho e até nem sabia se ia conseguir aguentar mas, logo os  pensamentos foram interrompidos pelas gargalhadas e correrias dos que acabavam de chegar.  
Beijos e abraços e estava na hora de subir a rua que nos levaria à Sé do Porto para aí iniciarmos o caminho a Santiago.

o grupo de peregrinos na Sé do Porto

A Igreja da Sé, situada no coração do centro histórico do Porto, é um dos principais e mais antigos monumentos da cidade, cujo início da sua construção remonta à primeira metade do século XII e se prolongou até ao século XIII.
No átrio exterior, enquanto esperávamos que a missa que decorria terminasse, fizemos as apresentações com muito humor e finalizamos com uma oração que é já um ritual deste grupo de peregrinos.
Depois da visita à Igreja começámos a descer pelas escadas de pedra, gastas pelo tempo, e por ruas estreitas com casas típicas que nos fizeram reviver épocas passadas.
Lá no fundo, entre duas ruelas, corria o rio Douro majestoso e soberbo mostrando ainda alguns barcos rabelos que por ele passavam para contar aos turistas e curiosos um pouco da história do transporte do vinho do Porto.

barcos rabelos

Avistámos a Ribeira, ponto obrigatório de paragem para turistas, e a Igreja da Ordem da Terceira de S. Francisco, primeiro templo de estilo neoclássico erguido no Porto, cuja construção se iniciou em 1795.
Fomos subindo por ruas íngremes e velhas, bem dispostos e sem demonstrar qualquer cansaço, procurando sentir e descobrir a história da calçada e de cada monumento.
A rua de S. Bento da Vitória conduziu-nos ao Largo da Cordoaria onde admiramos a Antiga Cadeia da Relação, edifício triangular e com 102 janelas, onde agora funciona o Centro Português de Fotografia.
Do nosso lado direito avistámos majestosa a Torre dos Clérigos, de estilo Barroco, com seis andares e 225 degraus.


torre dos clérigos

Um pouco mais adiante deparámos com o edifico rectangular neoclássico que foi destinada à Real Academia da Marinha e do Comércio, ocupado pela Faculdade de Ciências do Porto durante muitos anos e onde actualmente se encontra instalada a Reitoria e vários Museus da Universidade do Porto.
Atravessámos a Praça dos Leões, outrora ajardinada, com suas palmeiras seculares  e mesmo à nossa frente lá estava a Igreja das Carmelitas.
Mais adiante a Praça Carlos Alberto, com o monumento erguido ao soldado desconhecido, e logo de seguinda embrenhamo-nos pela rua de Cedofeita que parecia não ter fim.
Bem ao fundo, depois de passarmos por inúmeras lojas de calçado e pronto vestir, do nosso lado esquerdo mal se viu a Igreja de Cedofeita, considerada a igreja mais antiga da cidade do Porto.
Caminhamos em direcção ao Carvalhido e devagar, já que o movimento aquela hora era muito, chegamos à Prelada.
O calor começou apertar e aqui e ali parávamos para aliviar um pouco o nosso corpo das camisolas e gorros de lã que tivemos de vestir pela manhã.
Já perto da VCI, avistamos S. Mamede Infesta que esperava por nós.
Duas horas de caminhada  e olhando para todos vi estampado em cada rosto um sorriso e em cada olhar um brilho intenso.
Meia hora depois, fizemos a primeira paragem para descansar e saborerar uns bolinhos comprados pelo caminho. Ali mesmo os repartimos com alguns locais que agradecidos se mostravam admirados por desejarmos fazer tão grande peregrinação.
Depois do merecido e curto descanso, com o corpo refrescado e cheio de energia, voltamos ao caminho e S. Mamede parecia nunca mais acabar.
Atravessamos a linha do comboio e continuamos em direcção á Maia, local escolhido para saborearmos o farnel trazido de casa e transportado nas nossas mochilas coloridas e bem confortáveis.

  um banquinho de pedra veio mesmo a calhar

O nosso cansaço físico era agora bem visível mas, o nosso espírito continuava forte e determinado para conseguir alcançar a meta proposta.
A partir daqui o caminho tornou-se mais leve, para trás ficava a história de uma cidade antiga e cheia de monumentos.
Nossa mente concentrava-se agora na natureza e a quietude interior que começávamos a sentir proporcionava um profundo bem-estar e uma grande paz interior.
Deixamos de ver para apenas sentir!
A beleza das primeiras flores que desabrochavam á beira do caminho e o seu colorido fez-nos esquecer os km que ainda faltavam para chegar a Vilarinho.
Neste nosso caminhar constante trocamos com os nossos companheiros de caminhada nossas experiências e sabedoria.
a natureza e nós

Como é bom sentir que cada um busca a sua identidade, que cada um caminha assumindo o controlo total da sua vida, pretendendo ganhar força para ser dono do seu destino.
Chegámos à freguesia de Vilarinho, Vila do Conde, já ao fim da tarde.
Uns, mais cansados do que outros mas felizes por termos conseguido chegar juntos.

Vilarinho-Barcelos
 1 de Março

Apesar do tempo chuvoso dos últimos dias, sábado mostrou seu rosto sorridente e cheio de sol.
o grupo reunido

Em Vilarinho, depois de um café, reunimo-nos no jardim onde começámos com as apresentações, pois o grupo contava agora com mais quatro elementos.
Demos as mãos e fizemos a oração, terminando com as habituais palavras “ULTREYA SUSEIA” que significam para a frente e para o alto.
Este é um “grito” que mexe cá dentro como se, sem ele, o caminho fosse mais longo e doloroso.
Percorremos alguns quilómetros entre montes e campos de cultivo, à mistura com pequenas localidades, onde os caminhos eram ladeados por eucaliptos, que se erguiam majestosos e perfumados á nossa passagem.
rodeados de eucaliptos

Os campos, esses vestiam-se de vários tons de verde e eram salpicados por laranjeiras, cobertas de lindos frutos maduros, que convidavam a uma paragem para os podermos saborear. Mas o longo caminho que nos esperava a isso não permitia e os nossos olhos, esses sim, deliciavam-se com tão magnífica paisagem.
Nas veredas estreitas que íamos percorrendo, as flores de tojo, selvagens e amarelas, vergavam-se á nossa passagem e pareciam pedir perdão por algum sofrimento causado por alguma picadela.
Nesse momento senti uma voz baixinho segredar-me:
...  nascem á beira do caminho sem tratamento e carinho e sempre prontas a embelezar os olhos e a vida de quem por elas passam....
Oh como é simples e bela a natureza, murmurei!
as primeiras flores

Mais adiante, passamos por outras flores que guarneciam os muros parecendo grinaldas, umas roxas, outras brancas e amarelas, essas, bem mais delicadas e lembrando-nos que assim podem ser as pessoas, umas mais doces e felizes e outras mais sofridas e infelizes, conforme o meio onde nascem, crescem e vivem as suas experiências.
Todos estes pensamentos nos assaltam, e as comparações vão-se fazendo ao mesmo tempo que partilhamos as nossas experiências de vida com os companheiros de caminhada.
Fazem-se também longos silêncios e compreendemos que todos somos iguais e todos somos diferentes.
em silêncio

Neste percurso as mochilas que carregamos com o nosso farnel e mais alguns haveres quase não se sentem pois passamos rapidamente por um tempo que não tem idade e que mostra, sem vaidade, como é possível viver em perfeita harmonia com a natureza.
Perto da hora do almoço chegamos a S. Pedro de Rates, vila simpática e acolhedora, que nos brindou com a sua Igreja Românica.
Depois de uma breve visita á Igreja dirigimo-nos para o Albergue, que foi o primeiro albergue oficial do Caminho Português de Santiago.

a liberdade sentida

Aqui tudo nos encantou!
Esperavam-nos umas instalações remodeladas com gosto, uns lindos bancos de madeira para almoçarmos e um espaço verde onde alguns aproveitaram para se esticarem e descansarem sentido o calor do sol e o cheiro a terra.
O cataventos que não parava de girar e a roda gigante que em tempos serviu para tirar água do poço, fez-nos recuar no tempo e viver momentos de verdadeira comunhão com a Mãe Terra.
o cataventos

Saímos do Albergue mais aconchegadinhos e agradecidos por tanta beleza e harmonia.
Foi lindo, mesmo lindo!
Continuamos o percurso atravessando o monte pejado de arvoredo, avistamos um riacho por sobre um pontão e mais adiante um nome peculiar nos chamou atenção, o Alto da Mulher Morta.
Em breve chegamos à estrada N 306, na localidade de Pedra Furada, mesmo junto a uma capela. Aproveitamos para beber um café e seguimos caminho, agora por estrada de alcatrão e partilhado com o tráfego, o que torna o caminho menos agradável.
Antes de chegarmos a Barcelos aconteceu o inesperado, eu e mais 3 peregrinos seguimos por caminho errado. A culpa foi toda minha já que jurava avistar ao longe mais 4 peregrinos que seguiam, não por aquela estrada mas pela verdadeira... como tal foi possível não consigo explicar!!!!
Mas, como nada acontece por acaso, acabamos por apanhar uma boleia de um habitante local que seguia no seu carrinho e assim ajudou a aliviar os pezinhos sofridos de uma peregrina que se recusavam a caminhar.


Rapidamente nos juntamos ao grupo que esperava por nós e tudo acabou em bem.
O caminho estava a chegar ao fim e depois de atravessarmos a ponte medieval sobre o rio cávado, lá estava a cidade de Barcelos para nos acolher e abraçar.


ponte mediaval sobre o rio cávado
(continua....)

CONFRADE

Partilho convosco a minha alegria por ter terminado o ano 2010 a receber a medalha de confrade da Arquiconfraria do Apostolo Santiago.


A cerimónia realizou-se na Catedral de Santiago de Compostela e mais uma vez assisti ao tradicional Botafumeiro.




Como confrade tenho o dever de divulgar o caminho e nada melhor que iniciar o ano 2011 partilhando a minha experiência como peregrina que tanto me ensinou e me transformou como ser humano.
Este primeiro post será uma espécie de prefácio, com o intuito de partilhar o início do despertar interior que nos leva muitas vezes a desejar fazer o caminho a Santiago.


Prefácio

A busca, a procura da nossa essência, simbolizada muitas vezes pela peregrinação a lugares santos, como por exemplo a Santiago de Compostela, é um momento único na vida do ser humano em direcção à sua descoberta interior e à sua libertação.
Quando nos questionamos quem somos e o que fazemos aqui, iniciámos quase sempre uma viagem interior que nos conduz à nossa transformação como ser humano. É necessário ter em mente que essa viagem é feita por território totalmente desconhecido: não sabemos o que vamos encontrar pela frente e temos de confiar plenamente na nossa intuição, na nossa capacidade de visualizar o caminho e encontrar a melhor maneira de ultrapassar os obstáculos. É preciso que confiemos também na nossa força e no nosso desejo sincero do que queremos e desejamos para a nossa vida.
À medida que avançamos, começamos a descobrir que o caminho é árduo, mas também que não é feito somente de dificuldades. Descobrimos dentro de nós, lugares agradáveis onde repousar os olhos e o coração e começamos a encontrar companhia de outras pessoas que também iniciaram essa viagem que escolhemos. 
Passamos então a sentir que já não estamos sós, como pensávamos inicialmente, e rapidamente nos preparamos para perdermos algumas coisas que faziam parte de nós. Sim, porque à medida que entramos em contacto com a nossa essência, começamos a descobrir que algumas coisas que achávamos ser indispensáveis na nossa vida começam a incomodar e são desnecessárias e é geralmente com grande alívio que chegamos à conclusão que está na hora de as libertarmos.São os apegos que vamos aos poucos libertando e que nos tornam em seres mais auto-confiantes e livres.
É neste momento que começamos a modificar a nossa visão sobre o mundo e a vida, sobre nossas preferências e o conceito sobre felicidade altera-se.
Começamos a pensar: Será que já mudei?
Surgem as interrogações sobre as nossas noções de família, amor, paixão, amizade e companheirismo. Noções que estão baseadas numa determinada visão da realidade, numa forma de compreender e de estar no mundo. Padrões interiorizados que nos faziam seguir cegamente certas direcções, começam a tornar-se incómodos para quem está a fazer esta viagem e acreditem que não há fórmulas, não há receitas prontas para nos orientarem.
É comum, neste processo de mudança, assim acontecer porque se assumem valores espirituais em lugar de valores materiais. Surgem formas mais saudáveis de estar no mundo, formas de compreender e aceitar e até de amar.
É possível que algumas pessoas se comecem a distanciar de nós somente porque o nosso pensamento e comportamento são diferentes...é fácil compreender este afastamento pois elas continuam a comportar-se segundo os velhos modelos e todas estas mudanças têm o poder de as deixar inseguras e confusas. Por isso, temos de estar preparados também para aumentar a nossa capacidade de compreensão e ter sempre presente que o objectivo principal, nesta viagem que nos propusemos fazer, é a busca do nosso Eu interior e não a derrota dos outros.
Posso garantir-vos que o encontro com o nosso EU poderá ser tão excitante quanto o encontro com uma grande paixão e com um final quase sempre feliz: a outra metade de nós mesmos que se encontra bem dentro de nós, uma vez encontrada e unida ao que já somos, jamais nos irá abandonar e uma vez inteiros e completos estamos livres para nos relacionarmos à vontade com qualquer pessoa, de preferência também inteira e completa. Estamos finalmente livres do sentimento de posse, do ciúme, do medo e da insegurança.
E agora sim, estamos mais livres e mais conscientes para começarmos a caminhar em direcção ao amor incondicional.....aquele amor sem medos, que tudo perdoa, que tudo compreende, que confia e ama todo o ser que vive na terra.
A nossa descoberta diária, a nossa verdadeira aceitação do que somos e do que temos ajuda-nos muito no caminho em direcção ao Novo Mundo onde desejamos viver em Paz e harmonia.
Esta nossa transformação, que muitas vezes se inicia com uma vontade enorme de fazer o caminho a Santiago, ajuda-nos a olhar a Mãe Terra com outros olhos e aí ficamos deslumbrados com tanta beleza.
Como é que nunca tinha sentido assim a natureza?
Uma pergunta que muitos peregrinos fazem quando ao longo do caminho a Santiago, sentem a sua essência misturar-se com a natureza e alcançar a paz que tanto desejam.



no próximo post...o início do caminho

A MAIS BELA PRENDA DE NATAL

A pedido da amiga Isabel do blog http://licas-ontemehoje.blogspot.com/ apresentei a concurso, no seu blog, o conto de Natal :  A mais bela prenda de Natal.
Fiquei em 3ª lugar, o que não é nada mau já que se apresentaram 10 concorrentes com belissimos contos, mas o mais importante foi mesmo ter conseguido um tempinho para recordar aqui uma maravilhosa história verdadeira, que me fez recuar no tempo mais de 30 anos.
Como continuo sem tempo para escrever, aproveito este conto para  actualizar a minha casinha e acima de tudo desejar a todos os amigos e seguidores um SANTO E FELIZ NATAL.
Que o Amor e a paz estejam sempre presentes na vossa vida.


Acordei sobressaltada com o som do despertador que se recusava a parar. Se calhar queria que acordasse rapidamente mas os olhos recusaram-se a abrir e um bocejar deu a entender que ainda era cedo.
Espreguicei-me, silenciei o despertador e continuei de olhos fechados saboreando o conforto da cama.
Lá fora o vento soprava de mansinho, ouvi o barulho do espanta espíritos pendurado no terraço no inicio da Primavera e uma voz interior que teimava em segredar-me uma boa noticia.
Oh, estava para breve a entrega da minha prenda de Natal!
Aconcheguei a roupa e desejei ter ali a minha mãe com aquele ar bondoso e meigo.
O brilho intenso do primeiro raio de sol entrou pela janela do meu quarto acariciando-me o rosto. Acreditei que tinha sido enviado por ela; afinal podia estar ali e no céu ao mesmo tempo.
Sorri ao lembrar-me que faltavam apenas 19 dias para celebrar mais um Natal.
Vieram-me recordações à memória: gostava do frio do mês de Dezembro, dos nevões que tornavam a minha cidade linda, dos Natais da minha infância onde não faltava o presépio, a missa do galo, o pão do Menino Jesus e o sorriso da minha mãe. Cheiros e sabores misturaram-se harmoniosamente na minha mente conseguindo imaginar cada momento feliz que tinha vivido.
Para mim o Natal era mágico!
Voltei a sorrir acariciando o corpo suavemente sentindo a vida pulsar dentro de mim. Sabia que grandes e novas emoções me esperavam, o coração bateu devagarinho e agradeci aquele novo amanhecer.
Levantei-me a custo, abri a porta do quarto do meu filho e beijei os cabelos dourados que emolduravam o seu rosto lindo e inocente. Parecia um anjo!
Ali estava o ser mais importante da minha vida e agradeci a Deus aquela dádiva maravilhosa.
Dois fortes pontapés, no meu ventre, lembraram-me que não era altura para recordações, lembranças de infância com cheiro a bolinhos de jerimú e bolsos cheios de confeitos.
- Tiago, sabes que o maninho(a) está quase a chegar, perguntei?
- Sei, o papá já me disse, respondeu com ar malandreco.
- Estás feliz?
- Sim, já sei que vou ter com quem brincar, mas gostava tanto de ter uma maninha!
   Oh mamã, vai ser uma maninha, não vai?
Batia as palmas de contente e um brilhozinho no seu olhar confirmou toda a sua agitação e impaciência…andava assim há já alguns dias.
- Não sei, respondi pensativa. Talvez seja!
Senti que a sua impaciência era grande, tão grande como a minha.
Seria perfeitinho? Seria menino ou menina?
Deixei-o entregue aos cuidados da Tité e prometi voltar em breve.
Eram 13h quando colocaram uma linda menina nos meus braços.
Um choro que cessou ao encostar a sua cabecinha ao meu peito, fez-me abrir os olhos. O primeiro olhar, o primeiro beijo, o primeiro abraço tornou-me no ser mais feliz do mundo.
Uma menina!
Estaria a sonhar, estaria ainda adormecida ou estava a viver aquele momento feliz, consciente do que acabava de me acontecer?
Durante toda a gravidez desejei ter uma menina, uma filha de corpo e alma, e ali estava ela encostada ao meu peito, parecendo uma estrelinha brilhante caída do céu. Apertei-a contra o peito com muito amor, sentindo que a partir daquele dia nada seria como dantes. As lágrimas correram pelo meu rosto ainda jovem e agradeci aquele momento único e de rara beleza.
Passaram alguns dias e a noite de Natal chegou!
Uma vez mais  nos reunimos  e  naquele ano a menina pequenina, tão linda, serviu de Menino Jesus àquela família numerosa e unida.
Estava feliz e sabia que todos celebravam comigo essa felicidade.
Este presente Divino, no Natal de 1979, mudou para sempre a minha vida.
A nossa ligação foi e é tão forte que hoje, passados 31 anos, olho com amor e gratidão a filha que em breve será mãe.
A vida é um milagre!
Um milagre que acontece quando compreendemos que a vida é simplesmente amor.

PEQUENAS COISAS

Uma noite inesquecível com momentos únicos




Simplicidade, amor e amizade





Abraços longos sentidos, sorrisos, girassóis, rosas perfumadas e surpresas em presenças não esperadas ...mas tão desejadas!


Muita emoção contida em olhos que brilharam toda a noite num agradecimento constante
por tanto amor demonstrado

                           

O coração saltou de felicidade até tarde, pleno de amor e envolvido na mágica leitura de alguns  poemas


Superou este lançamento as expectativas do editor e por isso os livros esgotaram mesmo ali.....quem haveria de dizer!
Já ficaram feitas as encomendas para quem não conseguiu levá-lo e muitas mais se farão para os que não puderam comparecer.



No final os convidados passeraram-se pelo famoso Plano B e ao som da música apreciaram uma gostosa bebida .... ou não estivesse uma noite quente!


Não posso esquecer a Saozita, que conheci através deste espaço, e que me brindou durante a tarde e também à noite com a sua presença, acompanhada com os seus doces rebentos e marido.

Obrigado a todos pela força, carinho, amizade, mensagens e presença neste dia único e tão feliz.
A vida é feita de pequeninas coisas e saber que posso partilhar com tantos amigos e família momentos únicos da minha vida, dá-me força para continuar a percorrer com alegria o caminho da felicidade.
Abraço-vos a todos com muito carinho.

MAIS UM SONHO REALIZADO

É verdade amigos, todos os sonhos se tornam reais no momento certo. 
Acredito que há sempre um momento para tudo acontecer, não quando queremos mas quando estamos prontos para receber e saber agradecer.
Aconteceu comigo e a segunda novidade é esta: no dia 18 de Setembro será o lançamento do meu modesto e pequenino livro de poemas "entre o céu e a terra".
Entre a espera do meu neto, a reforma que já não tarda e outros projectos surge este mimo do Universo, como presente do caminho que venho a percorrer há já alguns anos....nada acontece por acaso!
Espero que me desculpem esta longa ausência, mas com tantas novidades e um cruzeiro  pelo Mediterrâneo, que tinha decidido fazer com toda a família há já algum tempo, pouco tempo tem sobrado. 
O meu obrigado a todos que me têm visitado, que me esperam, que me dão força para que aqui possa continuar a partilhar emoções, alegrias e também algumas tristezas ...a vida é mesmo assim! 
Em breve espero voltar ao vosso convívio e agradecer pessoalmente todo o carinho que aqui têm demonstrado.
Deixo-vos com o convite para o lançamento do livro, desejando que todos os amigos que estiverem perto apareçam, especialmente os do Porto, para um abraço e um sorriso.
O livro será depois colocado em algumas livrarias, pela editora.

Até já.



Lançamento: 
18 de Setembro de 2010 às 22h 
Plano B
Rua Cândido dos Reis, nº30 -Porto

FINALMENTE DE FÉRIAS

Queridos amigos,

Antes de partir para férias, quero partilhar convosco a grande novidade, aquela que me tem afastado de todos vós.
Estou com muitas saudades mas a vida é assim....sempre cheia de surpresas.
Espero ter outra novidade, igualmente boa, para poder partilhar convosco em Setembro.
Por agora deixo um grande abraço e aqui fica a primeira mensagem deixada pelo meu netinho(a), quando ontem assisti à primeira ecografia.


Olá vóvó,

Gostei muito de te conhecer quando foste fazer a ecografia com a minha mamã.
Vi como era doce o teu sorriso e como brilhavam os teus olhos de emoção quando mexi os bracinhos e perninhas.
Sabes, sou ainda muito pequenino, meço só 6 cm, mas já sinto quando tu encostas a tua cabeça à barriguinha da mamã para falares baixinho comigo.
Obrigado por nos dares o jantar todos os dias e por tomares conta de mim....aquelas recomendações todas que fazes à mãmã...ela faz quase sempre tudo que lhe dizes.
A mamã já prometeu começar a trabalhar menos e a ter mais tempo para mim e para o papá....espero que aconteça mesmo! 
Sei como tem sido complicado para ti fazeres tantas coisas ao mesmo tempo, mas escolhi-te por saberes que serias uma super vóvó.
Sabes, eu amo-te muito e sei que também me amas....
Agora vai de férias que eu tomo conta da minha mamã... agora que ela conseguiu uns dias para descansar com o papá.

Ah, já podes contar a novidade, pois já fiz 3 mesinhos….

Descansa muito e volta depressa pois desconfio que a mamã vai precisar muito de ti e eu também!
Beijinhos do teu primeiro netinho(a)