MONTANHA


Participação na 2ª.Postagem Colectiva do blogue  Espaço Aberto

a caminho da Citânia de Briteiros

No retiro silencioso da minha alma
olhei-te "montanha" poderosa
na quietude de um piar senti a paz
ao sol nascer conheci-te majestosa

Mergulhada no mar da tua riqueza
perscruto-te para não escorregar
sopram ventos enganosos disfarçados
desperta meu coração a caminhar

Na troca de olhares encurto caminho
o pensamento é veloz como gazela
meu pássaro da alma brilha tão feliz
ah..... pareces pintada numa tela

Vejo a água acariciar teu rosto antigo
um manto verde cobre-te até aos pés
no cansaço do caminho agradeço
sou feliz e sei que também és

Na lonjura ouço cânticos suaves
há água cristalina sempre a correr
encontro no amor  a minha luz
na fé a vontade de vencer

Um dia até ti eu vou chegar 
mavioso girassol vai-me sorrir
estenderei os braços para te abraçar
um manto de luz terás para me cobrir

******

Citânia de Briteiros fica situada no alto do monte de São Romão, no concelho de Guimarães em Portugal.
É classificado pelo Instituto Português do Património Arquitectónico como Monumento Nacional desde 1910.



ENTRE O CÉU E A TERRA



O âmago da minha vida
reflecte-se em sorrisos
envoltos em sentimentos
cristalina luz divina
cintilando tranquila
rodopiando feliz
em lua cheia sentida.

A vida é um sopro!

A brisa passa ligeira
refresca o corpo ferido
despertando o espírito
no cansaço do caminho.
O céu chama por mim
espraia-se o mar aqui
no grito nasce a flor
brilha estrela sem dor.
Eu....
não sei definir quem sou
onde estou
a terra prende-me aqui
o céu  espera por mim
sou tudo....sou nada
entre o céu e a terra.

RIO DOURO

Ribeira - Porto
Ponte D. Luís

Banhas a antiga cidade do Porto
 tanta história para contar
saúdo-te com um olhar.
Contemplo a beleza do teu leito
em movimento
sinto mistérios entre lágrimas e sorrisos
sem tempo.
Acompanho-te num extenso percurso
devagarinho
reflectes a beleza das tuas margens
no caminho.
Cantas baixinho nos dias de vindima
saúdam-te aves e árvores seculares
que se vergam e se unem
com formas singulares.


amendoeiras e oliveiras
árvores seculares 

A brancura e singeleza das casas
salpicam de branco a paisagem
tão característica,
navegam barcos e barquinhos
nas tuas águas tranquilas
tão azuis...tão místicas.
Banhas a região vinhateira
património da humanidade
paisagem cultural
sem igual.

barcos turísticos
 casas brancas na encosta vinhateira

 Nas tuas águas espelhadas
vejo o céu e o meu rosto reflectidos, 
com o sol a espreitar
um arco-íris  aparece por magia
para me encantar.

arco-íris 

 Serpenteias entre fragas gigantes
estreitas o teu leito sem medos
sem queixumes,
há beleza nessas paisagens
onde pássaros te esperam lá no alto
para te saudar.

Fragas com várias tonalidades

Num barco rabelo
lembrando a tua história
navego eu e os pensamentos...
sinto que és mais que um rio
és um exemplo vivo da beleza do mundo
da força  que guardas dentro de ti
da alegria de caminhares até ao fim.

barco rabelo

 Nada te detém...chego contigo à foz
numa amálgama de emoções e sentimentos
trocamos um olhar de despedida
na certeza de nos voltarmos a encontrar.

ponte  da  Arrábida

Tenho ainda tanto para aprender contigo
meu rio de ouro!

SIMPLESMENTE AMOR

1982 - eu e dois filhos maravilhosos

No júbilo da chegada
um olhar sereno
celebra,
a escolha incerta
do caminho que percorro.
No som do silêncio
segredos em oração
escuto,
sinto a vida pulsar
com sabedoria.
Respiro a simplicidade
experiência vivida
esplendor,
sinto a alma cantar
sou o que sempre serei
simplesmente amor.

SENTIR

Madeira - Dezembro 2009

Sou uma flor
que acaba de desabrochar
nesta Primavera
Confio em mim!
Descubro o que me faz feliz
qual o meu dom
faço dele o meu sonho
Ajo!
A minha mente é um jardim
semeio os meus sonhos
alimento-os todos os dias
Acredito no que sinto!
Descubro o meu objectivo
o que desejo da vida
lembro-me que sou uma flor
no jardim do Universo
Preparo-me!
Corro alguns riscos
choro quando sofro
sorrio quando estou feliz
a vida é mesmo assim
Aprendo!
Conquisto pequenas coisas
esperam-me grandes voos
sou um mar de possibilidades
Conheço-me!
Escuto a minha voz interior
fecho os olhos
subo o rio até à nascente
encontro aí a minha essência
o meu poder
Aprendi a Sentir!

Gerês - Maio de 2009

MÃE


Mãe,
chamo por ti em sonhos,
sei que me ouves.
Viajo contigo por entre campos
de flores que desabrocham
à tua passagem.
O som das harpas anunciam
a chegada dos anjos,
meu coração salta de alegria.
Cobres-me com um manto de luz
 abraças-me com tanto amor...
que saudades tinha do teu abraço
Mãe!
Relembro o paraí
so que habitas
sinto a tua paz e alegria,
estás feliz, tão feliz!
Beijo com ternura
 teu rosto sem forma,
acordo com o perfume
das flores que rodeiam
a tua alma.
Um dia virás buscar-me,
voaremos juntas até à eternidade.
Hoje e sempre estarás no meu coração
Querida Mãe!

Deixo o meu abraço, com muito amor,  para todas as Mães e filhos do Mundo.

OUTONO NO GERÊS


Agradeço o Convite do blogue  Espaço Aberto, para participar na 1ª. postagem colectiva com o tema "Outono".
E, porque adoro caminhar resolvi partilhar uma deliciosa caminhada feita no Gerês onde, juntamente com um grupo de amigos, vivi momentos únicos e inesquecíveis.

Venham comigo e sintam a sensação da verdadeira liberdade e felicidade.

Terras do Bouro
Trilho Águia do Sarilhão – Campo do Gerês

Gerês- Portugal


Iniciamos a caminhada de manhã cedo.
O céu envolvia-nos com o seu manto azul e o sol começava a espreitar atrás das montanhas.

o início da caminhada
Rapidamente surgiu o trilho, de terra batida, ladeado por densa vegetação.
As cores misturavam-se com tal mestria que a paisagem era ainda mais bela do que habitualmente.
Os tons verde, castanho e dourado combinavam-se com tal harmonia que faziam inveja a qualquer artista que por ali passasse.
Carvalhos e medronheiros deixavam cair seus frutos maduros e um tapete de vários tons estendia-se à nossa passagem.

uma paisagem bonita faz-nos soltar lindos sorrisos

Medronhos!
Oh, que frutos pequeninos e saborosos…….sorrisos, recordações, olhos brilhantes, bocas vermelhas.
Aconselhados pelos mais velhos, os mais novos do grupo quiseram experimentar.

Ah, afinal são tão bons e saborosos… sorrisos, olhos brilhantes, bocas vermelhas.
  
medronhos maduros

Tempos que voltaram e que se viveram tão intensamente como outrora.
São estas pequenas coisas que nos tornam verdadeiramente felizes!
A descida, a subida e lá estava o cume de uma rocha granítica gigante.
 Que magnífica paisagem!
Que liberdade!
O sol, a água, a terra e o vento.
A natureza em perfeito equilíbrio!


sentindo o calor do sol de Outono


Ao longe as águas, represadas pela barragem que atravessam a serra do Gerês, eram azuis e, com o calor que se fazia sentir, convidavam a um bom banho ou a um passeio romântico de barco.
Por segundos lembrámos que debaixo daquelas águas ainda existem as ruínas das velhas casas de pedra de Vilarinho das Furnas mas os medronheiros, acessíveis às nossas mãos ávidas de colher esses frutos vermelhos e maduros, e as pedras lisas onde nos sentámos e deitamos  para saborear aquele sol tão quente de Outono rapidamente nos fizeram esquecer essas tristes lembranças.

A hora do almoço aproximava-se e voltámos ao caminho.
Depois de uma subida lá estava a descida por entre pedras soltas e gastas pelo tempo.
Pé aqui, escorregadela ali e numa sinfonia deliciosa de pés, um aiiiii se mistura com o canto mavioso dos pássaros e dois caminhantes rolam naquelas pedras cheias de segredos.
Ui, uiiii...braços arranhados, cabeça esfolada, coração batendo apressadamente e rapidamente socorremos aqueles caminhantes corajosos, que num ápice  se recompuseram para terminarem a complicada descida.

 momentos para mais tarde recordar

Paralelo ao rio, o caminho era de novo de terra batida onde não faltavam amoras maduras e saborosas prontas a serem colhidas.
As abundantes silvas, emaranhadas, trepavam nos muros cobertos de musgo verde fazendo com que voltássemos ao passado.
Oh, musgo!
O Natal, o presépio, a infância…tantas recordações!
O chão era coberto de cogumelos, bolotas e folhas amareladas caídas de carvalhos seculares.
Tantos segredos que escondiam aquelas árvores gigantes e por momentos senti o seu abraço de protecção e cumplicidade.
Um sorriso desenhou-se no meu rosto cansado e senti-me una com a natureza.
Que sensação maravilhosa e que mistura de cores e de sabores tão harmoniosa.
 Bendita natureza!
Um lugar aprazível, cheio de relva, foi escolhido para o almoço e merecido descanso.
Deixando que o suave vento de Outono levasse para longe nossas preocupações, deitámos nosso corpo na relva verde e macia para relaxar, ao som da voz de uma caminhante.
Mais tarde, no silêncio da serra, descansaram uns enquanto outros observaram, com um sorriso no rosto, as massagens que se iam fazendo em nome do bem-estar e do equilíbrio do corpo e da mente.
Momentos de verdadeiro relaxamento!
Momentos de silêncio interior e exterior!
Momentos de sorrisos, de sonhos, de perguntas, de respostas….
A natureza e nós!
E, eis que o silêncio se quebra ao som de chocalhos das cabras montês que num instante invadem o nosso refúgio.

 cabras montês

O enorme rebanho que nos rodeou, nuns escassos segundos, fez-nos soltar risos e exclamações!
Tanta cor, tanta vida, tanta sabedoria!
Os saltinhos sábios dos cabritinhos para passar o riacho, que corria vagaroso mesmo à nossa frente, e o olhar atento do cão, que na sua missão de guarda certamente contava uma a uma cada cabra do seu rebanho, fizeram as nossas delícias.
Pensei nesta altura que é vivendo momentos de beleza e simplicidade como este, que nos tornamos em seres mais conscientes e mais sensíveis para podermos sentir a verdadeira essência da natureza.
O silêncio da serra voltou e com ele mais momentos de verdadeira tranquilidade e liberdade.
Tanta paz!
Olhos que se fechavam enquanto os corações batiam calmamente.
Olhos que se abriam para olhar os últimos raios de sol daquele dia de Outono.
Por ali ficamos mais algum tempo saboreando cada instante e agradecendo à natureza tanta generosidade.

Obrigado Mãe Terra!
Obrigado PAI!

INQUIETAÇÃO

fotografia do amigo Luís

Inquieto meu ser chora no tempo
é este o meu tempo...
olhos parados cegos de justiça
estrela cintila agitando a mente,
quadros pintados  pincelam
a alma dorida.
Sorriso  apagado no mar da injustiça
palavras ao vento sossegam a alma.
Volta o sorriso!
Nova madrugada...
beleza pintada no jardim florido da minha vida.

À TUA ESPERA

Mondim de Basto - Julho de 2009

Na espera do abraço
no cansaço da espera
entre espasmos do sentir
sorrisos espreitam.
Entre o verde da montanha
embrulhado em sol dourado
espraias-te sem cerimónia.
Celebras deslumbrado
a pureza da minha alma
despida de sofrimento
desejosa de voar
no espaço do teu olhar.

NUM DIA SEM SOL

Rio Douro - a caminho de Foz Côa

Num dia sem sol
as palavras saídas da tua boca
iluminaram o meu caminho.
Não entendi...
 mas escutei com atenção a tua explicação.
O teu sorriso cativou-me,
tua voz doce orientou-me.
Partiste no dia em que aprendi a voar.
Desorientei-me,
caí, ergui-me sozinha,
nunca mais deixei de voar!
Numa tarde cinzenta,
 um raio de sol entrou
pela fresta que deixaste na tua partida.
Voltei a sorrir!
A luz foi aumentando,
o caminho tornou-se mais fácil.
Aprendi a encontrar-te no silêncio,
nas longas ausências.
Perscruto teu sorriso
nos olhos de uma criança,
sinto o teu amor
quando olho o sol deitar-se no mar.
Escuto a tua voz  no canto do rouxinol,
converso contigo em noites de luar.
Um dia voltarás a iluminar o meu caminho
A minha luz iluminará também o teu,
mesmo num dia sem sol!


poema  dedicado a um ser humano maravilhoso que me ajudou no início da minha caminhada....para ele todo o  meu carinho e amor incondicional.